Quando falamos em comportamento humano nas organizações, nos deparamos com três elementos: a empresa, o funcionário e a cultura. Como três irmãos inseparáveis, estes sujeitos da ação fazem com que o espetáculo aconteça no palco do mercado competitivo de trabalho sob as vistas largas do grande pai chamado: tempo.
Durante as diversas situações presentes no ambiente onde estes elementos estão inseridos urge a necessidade de seguir um lema, que muitas vezes faz-se dilema: a gestão de si mesmo. Adaptar-se as mudanças e desenvolver habilidades diversas constituem uma espécie de “kit de sobrevivência” para que os sujeitos possam se manter ativos e em condições de lutar pelo pão nosso de cada dia, o qual apresenta-se sobre a forma de resultados. Este pão, tão indispensável a sobrevivência de nossos personagens, por vezes é mais difícil, por vezes é mais tranqüilo de se obter. Contudo, sempre traz um tom de desafio consigo, a fim de impulsionar a vitória sobre os obstáculos encontrados.
Com o advento do capitalismo, a influência do tempo sobre os demais personagens ganhou mais intensidade, na medida em que a corrida pelo capital, ou ainda, pelo seu aumento, tornou mais acirrada e, por que não, cruel a interação entre diferentes irmãos. Cada trio de irmãos possui como mãe a família e como primo distante (mas que deveria ser mais próximo) o lazer. Esta família vive muito separada e diversas vezes pouco conversa, cada qual tem os seus motivos, mas todos admitem em uníssimo a falta que lhes faz este contato aparentemente esquecido.
Acompanhando as mudanças surgiu um primo de terceiro grau, que vem acentuando a dispersão desta família. Ninguém sabe quando nem onde surgiu o capitalismo, mas de uma coisa todos hão de concordar: o capitalismo caiu nas graças deste primo terceiro: "Individualismo". Da etimologia da palavra temos que a origem dessa palavra é o latim: "in" - significa o contraio: não pode separar e "dividuus" - vem de "dividere" = separar. Atualmente, o individualismo moderno possui um sentido de divisão e fuga, pois cada indivíduo passa a viver a busca por seu crescimento no ambiente competitivo, deixando o cuidado e altruísmo para com seu semelhante como uma vaga lembrança do passado.
Como boa mãe, a família tenta a todo custo resgatar estes personagens e conta com a ajuda do primo (lazer) para facilitar essa aproximação. Todas as mães tentam, mas nem todas obtêm sucesso, algumas fraquejam e perdem suas forças no caminho percorrido. Há casos em que até ficam afastados por período mais longo, mas mãe é mãe e sabe perdoar tendo grande capacidade de reconciliação. Empresa e funcionário criam uma relação muito próxima, pois é no ambiente de trabalho que passam a maior parte das horas do dia e, por isso, faz-se necessária uma forte gestão de si mesmo para conciliar as exigências de ambas as partes (profissional e pessoal).
A influência da cultura pesa decisivamente no resultado destas relações entre os elementos anteriormente mencionados. Inicialmente as empresas atuavam de forma mais fechada e centralizada. Tal atitude exigia um comportamento mais submisso e acomodado dos empregados. Com as mudanças ocorridas a realidade apresenta-se bem mais hostil e aberta, onde muitas vezes a melhor certeza vem a ser a incerteza. Algo como: hoje estou empregado, amanhã já não sei. Por parte das empresas também existe semelhante dúvida: hoje tenho meu colaborador, amanhã ele pode estar “pedindo as contas”. Na atual sociedade líquida, tudo flui num rio repleto de curvas e obstáculos que corre sempre para o mar (capital).
O pai (tempo) sempre está cuidando dos seus filhos, fazendo-os sentir a sua autoridade a todo o momento. A empresa tornou-se o filho predileto e, como tal, ganhou mais regalias por parte do pai. O funcionário é o filho mais exigido pelo pai, que faz surgir uma nova modalidade de relacionamento entre as partes: o trabalho imaterial. Tal modalidade vem a prejudicar ainda mais a relação entre a mãe e o primo (família e lazer), mas como a empresa é o filho predileto....Neste contexto a cultura vem a ser o filho rebelde que nem sempre obedece ao pai, mas que possui um bom relacionamento com a empresa e adoram pregar peças e fazer brincadeiras com o funcionário. A este último cabe ter paciência e muita vigilância de suas atitudes e sentimentos para mostrar aos irmãos, primos, pai e mãe o seu verdadeiro valor.
Dado o exposto somos levados a crer que o olhar diferente das organizações independe do tamanho ou atividade das mesmas, mas está diretamente vinculado as pessoas que a mantém e interagem no mercado, influenciadas pelo tempo e pela cultura, mas ainda possuidoras de liberdade no que diz respeito as suas ações, pois: “você é o resultado das suas escolhas”.