Diante do objetivo básico de uma empresa: gerar lucro - cabe aos gestores possibilitar situações que possam incentivar os colaboradores a utilizar o que eles têm de melhor: os seus neurônios. O que difere o ser humano dos demais animais vem a ser a sua capacidade inovar e criar, sendo a inovação o fator diferencial diante da concorrência entre as empresas. De acordo com Predebon (2008, p.29): “A própria natureza inova para evoluir (Darwin)”. Neste sentido: a criatividade é a alma do negócio.
A criatividade é inerente ao ser humano, desta forma nem precisaria ser estimulada. No entanto, durante os primeiros anos de vida os pais acabam podando os estímulos criativos. Conforme relata Barreto (2009, p.167): ”- Desça dessa cadeira porque cadeira é feita para sentar!”. Esta atitude restringe o pensamento da criança e, posteriormente do adulto que começa a entender o mundo limitado: cadeira foi feita para sentar, chefe para mandar, empregado para obedecer, etc. Associado a este fato, o número de respostas negativas recebidas no início da vida criam bloqueios que comprometem a capacidade. Estudos realizados demonstraram que até os sete anos de idade a pessoa já recebeu mais de 5.000 (cinco mil) respostas negativas - ”não”, fazendo diminuir sua criatividade.
Os investimentos em criatividade nas empresas limitam-se a fatia das grandes organizações, sendo rara a empresa de micro e pequeno porte que se preocupa com tal prática. Como exemplo de uma empresa de grande porte que investe no desenvolvimento da criatividade pode-se citar a Google, que mantém um ambiente de lazer dentro da empresa a fim de incentivar a criatividade. Tal ambiente possui sofás diferenciados (“pufs”), mesas de ping-pong, vídeos-game, etc. Os recursos da sala podem ser usufruídos pelos funcionários durante o expediente de trabalho a fim de incentivar a criatividade, havendo momentos de pausa durante a execução das atividades. Tal procedimento, sendo reabilitador, renovador e diferenciado pode ser enquadrado como ócio criativo.
O processo criativo está vinculado com a superação dos bloqueios que impedem o fluxo das idéias. Para tanto, algumas empresas utilizam o Brainstorm – também conhecido como “turbilhão de idéias”, onde os colaboradores são instigados a deixar fluir os pensamentos livremente. Este processo é melhor identificado por Predebon (1999, p.48): "Para atingir esse objetivo, todos os participantes devem acumpliciar para dizer o que vier à cabeça, sem censura de qualquer tipo. Vale tudo. Uma seleção de iéias aproveitávies ou desenvolvíveis vem depois, em fase complementar."
O potencial criativo tem sido valorizado pelas empresas devido à acirrada competitividade que exige, cada vez mais, soluções instantâneas para os problemas. A empresa Mercedes-Benz disponibiliza regularmente cursos de criatividade para seus funcionários, onde são desenvolvidas dinâmicas que favoreçam o surgimento de idéias e estimulem o potencial inovador dos participantes. Já a empresa Microsoft, mantém no Vale do Silício equipes isoladas do resto da corporação. Tal estratégia fundamenta-se no fato de distanciar estes profissionais dos preconceitos vigentes da empresa, tornando-os mais ousados ao quebrar regras e agir de forma mais livre, sem precisar seguir o tradicional “manual de formalidades” da empresa.
Ao falar em empresas, não se deve esquecer a empresa original: a escola. Todos necessitam estudar e aperfeiçoar seus conhecimentos para então ingressar no mercado de trabalho. Neste sentido a formação escolar é muito importante e, como empresa formadora, a escola possui seus métodos e técnicas. Dentre eles pode-se destacar: o método Montessoriano. Tal método caracteriza-se pela educação auto-direcionada, onde as crianças têm todos os materiais expostos na sala de aula (que possui um layout diferenciado) e podem escolher com que material desejam brincar. Dessa forma procura-se estimular a descoberta e a exploração, desenvolvendo a criatividade e o pensamento próprio.
Muitas são as técnicas e mais diversas as possibilidades de desenvolver a criatividade por isso, conforme reportagem publicada no Wall Street Journal: "Os inovadores não só aprenderam cedo a pensar diferente, eles agem diferente."