Diante de um órgão público as regras que definem as relações de hierarquia: (chefe X subordinado) apresentam-se, via de regra, de uma maneira diferente da instituição privada. Tal diferença acentua-se na medida em que o funcionário público define a sua estabilidade de carreira. Quando falamos em empreendedorismo nas organizações, nos deparamos com três elementos: a empresa, o funcionário e o mercado. Como três irmãos inseparáveis, estes sujeitos da ação fazem com que o espetáculo aconteça no palco da gestão de atividades e pessoas, sob as vistas largas do grande pai chamado tempo.
A influência da cultura pesa decisivamente no resultado destas relações entre os elementos anteriormente mencionados. Inicialmente o órgão público atuava de forma mais fechada e centralizada, apoiando-se na estabilidade de emprego. Tal atitude proporcionava um comportamento mais indiferente e acomodado dos empregados. Gradativamente ocorreram mudanças e a realidade apresenta-se bem dinâmica na medida em que os princípios da liderança real despontam como busca incansável por parte de alguns gestores. A liderança real diferencia-se da liderança convencional, pois se sustenta na capacidade de influenciar pessoas fazendo-as perceber e acreditar nas vantagens decorrentes das atividades propostas pelo líder.
O pai (tempo) sempre está cuidando dos seus filhos, fazendo-os sentir a sua autoridade a todo o momento. A interação dos três irmãos (empresa, funcionário e mercado) ocorre de forma constante e ininterrupta, sendo que o mercado, aparentemente mais distante nas relações, exerce forte influência sob os demais. Tal fato pode ser exemplificado a partir da recente mudança das notas fiscais convencionais para a nota fiscal eletrônica, a qual exige uma adaptação da empresa e dos funcionários. Muitos exemplos poderiam ser citados, mas o importante é ressaltar a necessidade de aceitação e familiarização com a mudança: uma constante nos dias atuais.
Atividades diferenciadas e com caráter inovador e/ou empreendedor são vistos geralmente com desconfiança e tidos como desnecessários a instituição. Grande é o esforço despendido para conseguir promover mudanças, independente do setor escolhido. É sabido que as pessoas possuem forte resistência a mudança e, num órgão público, os servidores comprovam ainda mais este conhecimento. Todavia, os irmãos empresa e funcionário são constantemente pressionados pelo irmão mercado a mudarem sua atitude sob pena de receberem alguma punição legal ou ainda deixarem passar alguma oportunidade importante para a instituição.
Impulsionar e incentivar o empreendedorismo em um órgão público parece, num primeiro momento, algo de “outro mundo”. No entanto, a despeito de todas as adversidades de forças contrárias, o pai (tempo) nos ensina que o maior potencial humano depende dele e que as relações entre as pessoas ocorrem de forma mais agradável e produtiva se o potencial individual for valorizado e utilizado.
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