“No princípio havia o verbo.” Verbo é uma classe gramatical que indica ação, esta última remete a palavra movimento, e este, como processo de “fluir” determina todas as coisas. Determinar as coisas, saber, ter conhecimento, obter respostas vem a ser a grande sina da humanidade. Neste caminho, repleto de árduos desafios e inesperadas surpresas, tudo parece ficar confuso e complexo. A própria leitura deste parágrafo pode parecer confusa. Entretanto, estamos no caminho certo, afinal de contas: por mais que o ser humano desenvolva suas habilidades e intelecto, o entendimento sobre a mente humana é algo ainda distante.
Quando se fala em rotina, vida diária ou cotidiana, uma palavra surge em disparada: desafio. Somos desafiados e testados o tempo todo, independente de nossa vontade, afinal aprendemos que isso faz parte do espetáculo. Nesta “peça da vida” podemos ser atores principais ou quadjuvantes e, neste contexto, surge a resiliência como uma forma de tornar estas provações partes integrantes ou capítulos de uma história que poderá ter um final feliz, ou não.
Diante de adversidades, sempre são trilhados novos caminhos, independente da vontade das partes envolvidas. A resiliência, como capacidade inerente de algumas pessoas a responder de maneira positiva aos reveses da vida, demonstra a perfeição da natureza. Nosso cérebro, diante do grande volume de neurônios, quando surge um obstáculo (morte de algum neurônio) descobre um novo caminho ou ainda cria uma via alternativa para superar aquela dificuldade e manter o equilíbrio das atividades. Os neurônios não podem se reproduzir e nem renascer. Uma vez morto o neurônio, a natureza precisa encontrar uma maneira de compensar a sua falta. Da mesma forma que os neurônios são insubstituíveis, as diversas situações e oportunidades da vida também o são. Um momento passado não voltará, sendo necessário colher “o fruto da situação”, ou ainda, enxergar qual caminho aquela experiência nos levará a trilhar. Algumas pessoas têm maior facilidade em perceber o resultado, outras nem tanto. Contudo, independente de quão profundo é o conhecimento e/ou sensibilidade da pessoa, cada um sabe as alegrias e a dor que traz no coração.
Como diz o filósofo Mokiti Okada: “Lamúria gera lamúria, agradecimento gera gratidão.” Reclamar da situação, ser vítima ou arrepender-se por não ter feito algo. Tais atitudes mentais refletem a realidade de uma massa cada vez mais crescente de pessoas, as quais se acostumam com a situação, chegando ao ponto de não perceber o quanto são vítimas de si mesmas. Buda enfatiza que “o homem deve libertar-se das paixões mundanas” e alcançar o estado de harmonia espiritual. Já Jesus relembra nosso compromisso de sermos fortes e de “não cair em tentação”. Todos os personagens citados até agora, percorrem os sabores e saberes ligados a religião, mas dentre os cientistas também encontramos pensamentos que nos levam a refletir sobre a condição humana. Albert Einstein já dizia: “Only a life lived for others is worth living”. Independente do campo do conhecimento humano, o homem desconhece seu verdadeiro potencial, mas à medida que progride aproxima-se cada vez mais de um estado onde a resiliência passará a ser inerente ao ser humano.
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